O CINQUENTENÁRIO DE UM CLÁSSICO DO BLACK SABBATH

 

O pôster interno que vinha acompanhando o disco, no lançamento original inglês, de julho de 1971


Um álbum que retrata uma das mais representativas bandas do mundo, em seu momento de ápice total, ainda em pleno início de carreira.

Um álbum que também, sem querer, inaugura um novo estilo de som, uma ramificação de uma das vertentes mais sombrias e poderosas do heavy metal, hoje classificado como doom metal. Metal lento, arrastado e pesadão.

Isso era Master of Reality, lançado originalmente pelo Black Sabbath em 21 de julho de 1971 - completou 50 anos, esses dias.


E continua reverenciado como um dos melhores trabalhos do grupo até hoje.

Falar do impacto que esse disco teve, em toda uma geração, é chover no molhado.

Mas ainda é bacana pensar em como alguns desvios de percurso, em casos específicos, ajudam a criar novos caminhos - no caso do grupo de Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo), e Bill Ward (bateria), a questão mais predominante para algumas pequenas e decisivas mudanças tenha sido, talvez, o cansaço.

Sim. Uma estafa do caramba.

Da esquerda para direita: Bill Ward, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler

Como diz o baterista Bill: "Estavamos na estrada e gravando incessantemente durante todo o ano de 1970, e então no início de 1971, pudemos ter um descanso e um tempo maior para planejar o que fazer para o terceiro álbum". 

De fato. Gravado entre fevereiro e março daquele ano, Master foi uma continuação natural dos anteriores Black Sabbath e Paranoid, os dois primeiros discos da banda, mas com algumas sutis diferenças, que conferiram uma aura toda mítica ao trabalho.

Primeiro, a mudança na afinação dos instrumentos: de forma a não continuar judiando dos dedos - principalmente pelo fato de ter a ponta de alguns amputados, como resultado de um antigo acidente, e ter que usar próteses improvisadas - Tony Iommi experimentou a afinação em 'ré', afrouxando as cordas de sua guitarra, e assim obtendo um som bem mais grave e assombroso em todos os acordes, uma inovação para a época.

Close raro das próteses utilizadas pelo guitarrista Tony Iommi

Para acompanhá-lo, Geezer afinou o seu baixo para dó sustenido - e aí a coisa ficou mais sinistra ainda.

Bastou Bill Ward testar também novas equalizações da bateria em estúdio, com o maior tempo livre de que agora dispunham, tirando um som mais cheio e encorpado, para que uma nova massa sonora e extremamente impactante aos ouvidos alheios pudesse ser enfim captada para as novas canções do grupo.

E a voz de Ozzy estava, ainda, em sua melhor fase, atingindo bem todas as notas - o futuro madman e "senhor das trevas" do rock ainda não tinha sido dominado pelos vícios e excessos que trariam a ele tantos estragos futuros. Também conforme lembra Bill Ward, em entrevista de 2016 sobre esse disco: "Não é que as bebidas e as drogas não estivessem por ali, elas sempre estiveram por perto. Mas naquela época ainda éramos bem jovens, e tínhamos ainda um certo receio e uma noção de controle sobre os vícios".

Ozzy em tempos áureos do Black Sabbath

Resultados diretos disso são pedradas tonitruantes como a que abre o disco, a lendária música sobre a erva do capeta, "Sweet Leaf" - com direito a tossezinha de Tony Iommi gravada em loop no começo, devido a uma baforada...

Sweet Leaf

Ou ainda, a religiosa "After Forever", e a apocalíptica "Children of the Grave":

After Forever


Children of the Grave


Havia, ainda, uma passagem suave, resultado de experimentações de Iommi com o violão clássico, nas bela e curta "Orchid":

Orchid

Mas talvez um dos mais líricos e inesperados momentos seria a bucólica e etérea "Solitude", uma música tão bonita em seu clima misterioso e nórdico (tem até flautas), que ali, pela primeira vez, o Black Sabbath surpreendia a crítica (que sempre desdenhava deles) com uma proposta eclética de influências folk, e uma letra que falava sobre o desolador sentimento de "não pertencimento", que pairava sobre muitas mentes da época:

Solitude


Essa obra-prima encerra com a também pesada "Into the Void", uma verdadeira aula de mudanças rítmicas e riffs - Bill Ward confessaria que, por muitos anos, ele teria dificuldades de reproduzir essa canção nos shows:

Into the Void


Pra soprar com força essa velinha de 50 anos, deixamos vocês com uma performance irrepreensível de "Children of the Grave", com o Sabbath ao vivo no lendário festival California Jam, de 1974:

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