O ÉBRIO SORRISO AGRIDOCE DE 'DRUK'
Resolvi escrever a respeito do dinamarquês Druk - Mais uma Rodada ( Druk - Another Round , 2020), o célebre (e merecido) vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano, porque nenhuma das outras críticas que li sobre o filme me pareceu simpaticamente apropriada à intensidade e psique que essa pequena obra-prima apresenta, após eu ter assistido a ela ontem. Por assim dizer, é filme dos mais caprichados. E feito para se assistir com um ébrio sorriso agridoce nos lábios. O trabalho do diretor Thomas Vinterberg é uma das mais gratas surpresas vindas do cinema europeu nos últimos tempos, e traz um frescor de revelações e emoções, em camadas, como os mais saborosos vinhos de uma rara safra, a serem apreciados com zelo e devoção. É preciso ter um pouco de experiência de vida, para encontrar em Druk toda a complexidade das mensagens que o filme tem a transmitir. É um roteiro inicialmente melancólico, e duro com as pessoas tantas que existem por aí, de uma certa idade, já desilud...